DEPENDE DE DILMA
As passeatas contra a corrupção no último dia 12, mobilizando só em Brasília cerca de 20 mil pessoas, são emblemáticas, mas insuficientes para repetir experiências de sucesso como o Fora Collor e a campanha das diretas. Os especialistas apontam vários fatores, mas dois deles são vitais: foco e liderança. Embora tenham ido às ruas, os manifestantes precisam fechar a discussão sobre um tema único, como a aplicação da Lei da Ficha Limpa, ora emperrada no Supremo Tribunal Federal. Ante tantos escândalos, os protestos também se dispersam, tirando parte de sua força. A corrupção é endêmica, mas, enquanto não se focar em torno de uma só questão, os avanços serão tímidos.
No caso da falta de lideranças, não se trata de um personagem, mas de grupos, inclusive de políticos, como ocorreu nos eventos de sucesso. Tanto em 1984 quanto em 1992, até os políticos foram às ruas. A luta pela volta do voto direto para presidente e governadores envolveu representantes de todos os partidos de oposição, forjando um protesto ecumênico que mudou a postura do regime. Em decadência ante a opinião pública, os partidos deviam, até por uma questão de ofício, estar ao lado do povo, combatendo as mazelas que contaminam a ação política. No entanto, o pragmatismo das legendas as afasta das ruas, comprometendo a sua própria finalidade de representação.
O Judiciário tem parte de responsabilidade nesse impasse. Embora tenha o assunto em sua pauta há mais de dois meses, o Supremo, por orientação de seu presidente, Cézar Peluzzo, espera a presidente Dilma nomear a sucessora – será mulher – da ministra Ellen Gracie, que se aposentou. Ele teme a repetição do empate de 5 a 5 em temas polêmicos, preferindo esperar a posse do 11º ministro. A Ficha Limpa, o melhor projeto contra a corrupção, depende da presidente da República. Mas e os demais processos, também estão parados? O STF não pode criar essa dependência, sob o risco de deixar os eleitores sem uma ferramenta importante nas eleições do ano que vem.










