JÁ ERA TEMPO
O desvio de função de funcionários públicos, como andou fazendo o ministro do Turismo, Pedro Novais, quando contratou uma empregada como assessora para pagá-la com dinheiro público, é mais uma razão para a presidente Dilma, independentemente do nome que adote, continuar a faxina nos escalões do Governo. No escândalo da sua pasta envolvendo vários funcionários, o argumento do ministro – e aceito – foi de que todos os problemas ocorreram antes de sua gestão, mas, desta vez, não há justificativa. O pagamento a uma empregada durante sete anos, como mostrou o jornal Folha de São Paulo, foi de sua exclusiva responsabilidade, sem qualquer intermediação. O matutino paulista ainda acrescentou ontem que a mulher do ministro usa um servidor como chofer. O funcionário, já exonerado, estava contratado no gabinete do deputado Francisco Escórcio (PMDB).
A confusão entre público e privado tornou-se uma mazela recorrente nas instâncias de poder, indicando que, a despeito de puxar o freio de mão, a presidente tem que ir adiante, sob o risco de assumir o ônus de fechar os olhos ante tais escândalos. Pedro Novais, que foi colocado na rua, não tinha condições de continuar ministro. Aliás, nem deveria ter sido chamado para o cargo não fosse a intransigência de seu próprio partido no processo de ocupação de postos do primeiro escalão. Ele será substituído por um novo representante da legenda.
Já que se trata de cota partidária, foi a saída adequada, mas é necessário considerar que não basta a troca de nomes. Para o bom funcionamento da pasta, é preciso um mínimo de conhecimento do setor, embora já se saiba que hoje muitos cargos são apenas representativos. A ocupação de postos oficiais tornou-se uma questão política, onde a vontade dos partidos prevalece sobre a competência. Neste caso, perde-se eficiência, um dos males de um país que tem por meta ser protagonista no cenário mundial. Mas não desse jeito.










