NOVA BABEL
O Congresso Nacional transformou-se numa autêntica Babel, na qual o viés ideológico foi substituído pelo jogo de poder. A oposição abandonou suas convicções programáticas, e a base governista age de acordo com suas conveniências. A presidente Dilma, fragilizada pela crise econômica, fica com a pior parte: vetar projetos inconsistentes que são aprovados no Legislativo, mas de forte apelo popular. O mais recente foi a mudança no cálculo da aposentadoria. A proposta institui alternativa ao fator previdenciário. O paradoxo está no PSDB, que votou contra um mecanismo criado por ele ainda na gestão de Fernando Henrique.
Sem entrar no mérito da questão, pois os aposentados continuam sendo prejudicados ao curso dos anos, com ganhos cada vez menores e correções sempre abaixo dos índices, especialmente aqueles que ganham mais de um salário mínimo, a ação do Parlamento aponta para um novo ciclo nas relações de poder. O Congresso resolveu votar temas pontuais, de acordo com a cabeça do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que age à revelia da própria articulação de seu partido, o PMDB, e do presidente do Senado, Renan Calheiros. O vice-presidente da República, Michel Temer, como eles do PMDB, desde o mês passado, tornou-se o articulador-mor da República.
Ontem mesmo, a presidente da República sinalizou que vai vetar a medida, por recomendação da área econômica, sob o argumento de não ter meios de levá-la adiante. Se o fizer, comprará um novo desgaste, agravado por uma possível derrubada do veto. Para ela, o destaque que acaba com a aplicação automática do fator previdenciário está na contramão do ajuste; para os partidos, especialmente o aliado PMDB, a arquibancada é o que interessa.











