MAIS ARMAS
Na contramão da opinião pública, que vai às ruas para se queixar, entre outras coisas, contra a violência, a Câmara dos Deputados tinha na sua agenda a instalação, ontem, de uma comissão especial para analisar o projeto de lei que pode alterar o Estatuto do Desarmamento, pois flexibiliza as normas para a compra, a posse e o porte de armas de fogo no Brasil. O grupo que encabeça a iniciativa tem o sugestivo nome de “Bancada da bala”. Pelas regras atuais, o número de armas registradas em casa é de seis. A bancada quer elevá-lo para nove e reduzir de 26 para 21 anos a permissão para a compra.
Os defensores do projeto de autoria do deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC) também querem a liberação para o uso de armas nas ruas por civis, mediante porte autorizado, advertindo que caberá à Polícia Federal fazer a triagem de quem pode e quem não pode ter esse benefício. Ao passar por uma comissão especial, o texto tem caminho próprio na burocracia do Congresso, podendo chegar ao plenário antes do tempo.
Uma das causas do incremento da violência no país, de acordo com dados da própria polícia, é a circulação indiscriminada de armas. A legalização, que os defensores entendem ser o antídoto, é algo perverso, pois aumenta a circulação de equipamentos letais, que, em momento algum são garantia de segurança. Ao contrário, uma pessoa comum, quando armada, tende a reagir ao assalto, o que faz dela, na maioria das vezes, vítima, já que os criminosos não medem consequências, nem mesmo quando as vítimas não portam armas. O último exemplo ocorreu na noite de segunda-feira, quando dois trabalhadores foram baleados – um deles morreu – num assalto. No caso, sequer reagiram, mas o crime teve requintes de crueldade, praticado por esses personagens que partem para o vale tudo a qualquer preço.











