PELO CAMINHO


Por Tribuna

15/04/2012 às 06h00

Um dos graves problemas da rotina nacional é o hábito das instâncias oficiais de deixar obras pelo caminho. Pelo país afora, é comum encontrar esqueletos de empreendimentos ao relento sem a preocupação com a sua conclusão, num explícito desperdício do dinheiro público. E não é de hoje. Ainda no ciclo militar, anunciou-se sob pompa e circunstância a construção da Transamazônica, obra de integração que foi colhida pela mata. Não se sabe quanto foi gasto, mas o que resta é um mero arremedo do megalômano projeto. Outros empreendimentos, agora no período democrático, também vão pelo mesmo caminho, e outros andam a passos de cágado, como a transposição do Rio São Francisco, obra que já vence diversos governos. No caso local, o Teatro Paschoal Carlos Magno é o mais emblemático. Iniciado ainda na gestão Mello Reis, passou por diversos prefeitos e não foi concluído. E nem há datas para isso, muito menos informações exatas sobre a atualidade do projeto. Os recursos continuam emperrados na burocracia estatal, enquanto a cidade vê o tempo consumir o que já tinha sido feito.

Para evitar recorrência, é preciso atenção para a BR-440, a polêmica obra da Cidade Alta ora bloqueada pelo Tribunal de Contas da União. Articulada para ser um importante vetor de transportes, enfrenta graves denúncias de superfaturamento e demandas ambientais que ainda não foram resolvidas. Dessa forma, são feitas apenas ações de contenção, para evitar maiores danos à população. Mas só isso não basta, pois, se nada for feito, a região terá um elefante branco ligando o nada a lugar algum. É preciso encontrar uma solução para, sobretudo, desonerar a comunidade dos problemas que ora enfrenta. A Tribuna, em visita ao local, verificou os riscos e as dificuldades encontradas por motoristas e pedestres.

Sem ligação com a BR-040 – o mote de sua construção -, a rodovia tornou-se um problema, pois o Governo federal recolheu os recursos, e o TCU impede novos investimentos. É preciso, porém, um desfecho. Nesse caso, não há espaço para algumas propostas apontando para um novo projeto. Pode até ser, mas apenas para a complementação. Abandonar o que já foi feito é mais um espetáculo de jogar dinheiro fora, quando o que se cobra é uma solução negociada, capaz de atender aos usuários, hoje sob a incerteza do que virá pela frente.