SOB NOVA DIREÇÃO
A troca de guarda na CBF, com a renúncia de Ricardo Teixeira, não será um processo simples, a despeito dos vários interessados. O presidente que sai, mesmo sob denúncias de ilícitos de toda ordem e por toda a parte, ganhou dois títulos mundiais e um vice-campeonato, além de ter organizado o Campeonato Brasileiro, em suas diversas séries, algo que não acontecia há tempos. Em 1987, tal era a desorganização que o vencedor no gramado acabou não ficando oficialmente com o título, cabendo ao Sport Clube Recife, e não ao Flamengo, o direito de levar o troféu. A demanda ainda está na justiça, mas, a partir daí, não há registro de episódio semelhante. Até a fórmula do ponto corrido deu certo, mesmo diante de críticas acirradas de especialistas.
O outro lado de Ricardo Teixeira é que precisa ser esquecido sob a chancela do já vai tarde, pois deu espaço para a transformação do futebol num balcão de negócios. Os times tornaram-se empresas, mas não no padrão profissional que se esperava e que até chegou a ser discutido na Lei Pelé. Ao contrário, dirigentes e agentes ganham muito dinheiro e uns poucos jogadores vendem a impressão de ser um esporte gerador de riquezas. Mas para quem? Ao mesmo tempo em que há salários estratosféricos, na outra ponta, estão clubes de uma só temporada que passam a maior parte do ano sem atividades. Os patrocínios são precários, e os financiamentos praticamente inexistem.
O novo presidente da Confederação Brasileira de Futebol, a assumir depois que José Maria Marin deixar a interinidade, terá o desafio de conciliar o sucesso com ações que moralizem o futebol brasileiro. Há uma Copa do Mundo pela frente e, mesmo sendo uma atribuição da FIFA, o país tem que se preparar, não apenas na sua infraestrutura, mas também na formação de sua própria equipe, sob o risco de fazer um fiasco e tanto na terra do pentacampeão.










