POPULAÇÃO DE RUA


Por Tribuna

15/01/2014 às 07h00

Quando ocorreu a demolição de imóveis abandonados na Rua Benjamin Constant, Centro, atendendo a uma demanda dos comerciantes e pedestres da região, não houve uma discussão mais acentuada sobre o que seria feito dos usuários do espaço. Relegados à própria sorte, eles se espalharam pelas ruas, ampliando ainda mais o espectro de insegurança. A denúncia de moradores do entorno do Mergulhão se justifica, mas esta não será resolvida apenas com a instalação de um posto policial – que pode até ser necessário – enquanto os usuários de drogas não tiverem um espaço adequado para acolhimento e tratamento.

O Brasil é um dos países com uma das melhores políticas de atendimento à população de rua, servindo de exemplo, sobretudo para a Europa, que ora se espanta com o novo problema, mas também aqui há um longo caminho a ser trilhado. Muitos desses moradores resistem aos abrigos colocados à sua disposição, preferindo o relento ao teto. Outros, por força das próprias circunstâncias – o vício -, migram para as vias urbanas para a prática de pequenos furtos e roubos, levando insegurança à população.

A Polícia Militar, em mais de uma ocasião, já instalou uma unidade móvel no Mergulhão, e os resultados foram positivos, mas, enquanto não se inibir a fonte dos problemas, haverá apenas migração das demandas para outras regiões. Hoje, o consumo de crack, especialmente, tornou-se um problema nacional, pois é possível ver o mesmo cenário replicado pelo país afora, e não mais apenas nas metrópoles. Os investimentos sociais são, pois, estratégicos para reverter um quadro que causa consternação e medo ao mesmo tempo.