NA HORA DO VOTO


Por Tribuna

14/12/2011 às 07h00

Como ocorre de quatro em quatro anos, a Câmara se submete ao desgaste de reajustar os vencimentos de seus membros, fato que, pelas próprias circunstâncias, causa incômodo na opinião pública. Os índices que justificam o reajuste não são os mesmos das demais categorias. Enquanto a maioria dos trabalhadores se submete ao IPCA, os vereadores tomam por base – no caso de Juiz de Fora – os vencimentos dos deputados estaduais, que, por sua vez, baseiam-se no que ganha um parlamentar federal. Em ambos os casos, o percentual é de 75% por conta do número de habitantes e eleitores.

Embora haja esse suporte legal, o desconforto do tema se justifica pelas próprias circunstâncias. Os vereadores votam o próprio salário e, em vários casos, embutem outros benefícios como verbas remuneratórias, que acabam dando um valor irreal ao vencimento, e sessões extraordinárias. O trabalhador comum, por lei, tem direito ao 13º, e são raras as empresas que concedem outras remunerações além do salário mensal.

É fato que há razão quando se diz que o aumento não vale para o atual mandato e que seria pior se ele fosse discutido e votado depois das eleições, quando já se soubesse o resultado das urnas, mas tal fato não afasta a ideia da diferença entre políticos e eleitores que sempre marca a dialética entre rua e poder. Mesmo sob a lógica de que se deve tratar com desigualdade os desiguais, nem sempre há a correspondência entre o trabalho apresentado e o vencimento recebido.

Nesse caso, porém, a missão é do eleitor, que deve, na hora do voto, escolher, de fato, quem está disposto a defender a causa pública como uma missão em vez de políticos que fazem da política um negócio. Não é difícil encontrar a diferença.