GATO POR LEBRE


Por Tribuna

14/09/2012 às 07h00

Quando o Governo suspendeu a comercialização de celulares, até que a demanda reprimida das operadoras fosse cumprida, já que se vendia mais do que a capacidade de serviço, houve, mesmo tacitamente, um acordo de superação dos problemas do setor. Mas o cenário continua o mesmo. O Procon de Juiz de Fora abriu processo contra as operadoras por conta de os planos de investimentos não contemplarem a rede local. Vai apurar responsabilidade pela qualidade do serviço distribuído. No dia 18 de julho, quatro empresas do setor, chamadas a prestar esclarecimentos, apresentaram informações consideradas insatisfatórias e não indicaram nenhuma ação para mudar a situação.

Quando da adoção do sistema 3G, Juiz de Fora foi uma das últimas cidades de seu porte a ser contemplada com a medida. E, quando isso ocorreu, criaram-se expectativas de investimentos. Mas pouco foi feito, comprometendo, inclusive, projetos importantes para o próprio município. Juiz de Fora está se articulando para ser uma das subsedes da Copa do Mundo, o que exige, de pronto, conexões eficientes. O Ministério das Comunicações prometeu que até 2014 o país já estaria apto a implantar o sistema 4G, mas, pelo menos no caso local, fica a dúvida, uma vez que nem o atual atende a demanda do consumidor. Os equipamentos como tablets, que já operam com a tecnologia de ponta, funcionam de forma precária.

Juiz de Fora não é a única cidade a viver esse drama. Em todo o país, as operadoras são campeãs de reclamação nos serviços de defesa do consumidor, mas é fundamental continuar a cobrança, pois quando se faz um contrato a responsabilidade é mútua: do cliente de pagar em dia, e da operadora de fornecer o serviço. Por enquanto, porém, o que se vê é gato por lebre, já que, a despeito das maravilhas oferecidas, o resultado final tem sido precário.