FOGO AMIGO


Por Tribuna

14/08/2013 às 07h00

O cantor Marcelo D2, numa de suas muitas músicas falando do cotidiano urbano, diz que, para puxar para frente, tem poucos, mas, para puxar para trás, a fila é imensa. Na política, esse cenário deixou de ser estranho nessa pré-hora eleitoral. A um ano das eleições, os possíveis candidatos ainda enfrentam resistências, quando não das ruas, dentro das próprias bases. A presidente Dilma Rousseff (PT), até bem poucos dias, quando sua popularidade despencou, viu de perto os ensaios do volta Lula, manifestados na sua própria legenda por políticos que consideram que só com o retorno do ex-presidente o país entra de novo nos trilhos. Ante recentes números, apontando que o prestígio da chefe do Governo subiu seis pontos percentuais, de 30% para 36%, esse discurso saiu de cena, mas não morreu, ficando na dependência de outros acontecimentos.

A situação mais emblemática, porém, ocorre dentro do PSDB, o principal partido de oposição. Depois de duas frustradas tentativas, o ex-governador de São Paulo José Serra não se rende aos fatos. Enquanto diretórios tucanos de todo o país apostam na candidatura do senador Aécio Neves, ele se mantém como uma esfinge, mas alimenta os bastidores com a defesa de prévias para a escolha do nome do PSDB nos palanques do ano que vem. Serra corteja outras legendas, mas não diz que quer sair do antigo ninho, jogando com os prazos. Até 4 de outubro, ainda vai dar motivo para muitas especulações.

O fogo amigo é uma questão que costuma causar mais danos do que a própria ação dos adversários. No caso do senador mineiro, ainda há o velho embate político e cultural com os paulistas. Os dois estados sempre mediram forças ao curso da História do país. Na primeira República, Minas deu de sobra no estado vizinho, que passou a dar o troco no novo cenário. Numa terceira etapa, se revezaram. A política do café com leite hoje é apenas uma lembrança, pois está claro que, no discurso que não entra no papel, a velha e mútua resistência se mantém intacta.