FUTURO INCERTO
O projeto de reforma aprovado pela Câmara, apenas um arremedo do que se esperava, ainda não é uma peça definitiva, pois ainda falta a votação no Senado. As duas casas são independentes e nem sempre pensam de forma igual, o que dá margem para especulações. A reeleição, rejeitada pelos deputados, tem um cenário distinto entre os senadores, pois boa parte deles tem experiência no Poder Executivo, a maioria como governador, o que dá espaço para apontar uma mudança de rumos. Se o Senado rejeitar, o texto tem que voltar para a Câmara. Se não houver acordo, fica tudo como antes. Outro impasse está no mandato de cinco anos, uma consequência do fim da reeleição. Com um mandato de oito anos, os senadores resistem em perder três. Mais um problema.
A falta de entendimento entre as duas casas pode, no entanto, ser um bom sintoma, pois aponta para a diversidade política do país. O que não vale, porém, é estabelecer um desentendimento fruto de interesses próprios, sem uma visão de país. Na Câmara, o deputado Eduardo Cunha dita a pauta e acelera votações. No Senado, Renan Calheiros não é tão diferente. Em comum, o fato de serem ambos do PDMB e alvos da operação “Lava jato” da Polícia Federal.
O que se espera é o aprofundamento das discussões e elaboração de um texto compatível com a expectativa das ruas. A reforma aprovada pela Câmara, pelo que se esperava, foi decepcionante, porque manteve todas as propostas que a sociedade queria mudar, como fim das coligações para o Legislativo, cláusula de barreira e financiamento de campanha. O Senado tem um papel importante nesse debate, pelo menos para reverter o que os deputados não quiseram ou não tiveram a coragem de mudar.











