ACIMA DA MÉDIA
O uso indiscriminado do dinheiro público continua sendo uma rotina nas instâncias de poder, a despeito de todas as denúncias ao curso dos anos. No último domingo, com repercussão na segunda-feira, o jornal O Globo denunciou a triplicação do número de funcionários comissionados e a ausência sistemática de tantos outros que não têm o dom da bicorporeidade, mas que entram na folha de pagamento do Senado Federal como se estivessem presentes ao trabalho. Muitos desses funcionários ocupam-se de outras funções de dedicação exclusiva, mas estão na folha; outros fazem curso de seu único interesse no exterior, mas estão recebendo.
Não é de hoje que a prática ocupa as páginas dos jornais – e vai continuar por muito tempo – sem que qualquer providência seja tomada. As ações são apenas de perfumaria, ficando o centro do problema na mesma dimensão. Com 81 senadores, a Casa emprega 2.505 funcionários comissionados, isto é, que não precisam de concurso para ingressar no sistema. Certamente, não há função para todo mundo, dando margem a uma dúvida: haveria espaço se todos resolvessem trabalhar no mesmo dia? Provavelmente, não. Muitos assessores ficam em casa, outros em gabinetes fora do Senado e tantos outros nos estados de origem dos parlamentares.
É por esses e vários motivos que se acentuam discussões sobre a importância do Senado. Ele é importante, pois significa a representação dos estados no Congresso, mas os exemplos de uso equivocado do dinheiro público causa dúvidas sobre a necessidade de uma segunda câmara. Como bem apontou o jornal O Estado de São Paulo, o que se percebe, hoje, é a privatização de uma instituição pública que foge de suas atribuições.










