ESPAÇO PÚBLICO
Em alguns conglomerados, uma das exigências para a sua construção é a implantação de serviços, de praças e até mesmo de templos para reforçar não apenas a cidadania mas também a sensação de pertencimento e, sobretudo, as relações interpessoais. Talvez tenha sido essa uma das carências de unidades residenciais da cidade, como o Residencial Araucárias, foco de confronto entre os próprios moradores, deixando a maioria em pânico, sendo que alguns deles sequer saíram para trabalhar. Entre as queixas, a existência de traficantes foi a questão recorrente, o que induz as autoridades a abrir sindicâncias para apurar o caso, uma vez que o programa Minha casa, minha vida é uma das melhores iniciativas do Governo para conter não só o déficit habitacional mas também por proporcionar às classes menos favorecidas o direito de realizar o sonho da casa própria.
O episódio de terça-feira, que levou a polícia à região em pelo menos três oportunidades, certamente é um fato isolado, mas como prevenir sempre é melhor do que remediar, é necessário incrementar ações sociais nos demais espaços e exigir a sua implantação nas próximas unidades. Em regiões de grande concentração urbana, a necessidade de serviços básicos é fundamental para consolidar as relações. Os templos, sejam de que fé forem, reforçam a família. Caso contrário, como disseram os especialistas, serão espaços estanques, nos quais boa parte dos usuários se sentirá como estrangeiro, já que saiu de seus pontos de origem sem a certeza de novas relações. E quando não há meios para incentivá-las, o vizinho torna-se um estranho, e de estranho passa até mesmo a inimigo.
O grave é a concentração de novas demandas da modernidade, como as mazelas frutos dos enfrentamentos entre gangues e a disseminação das drogas. Se antes elas se concentravam em determinadas regiões, hoje não se pode dizer o mesmo, ainda mais em locais – como esse condomínio – nos quais o fluxo de pessoas é intenso. Entre outras queixas, os moradores apontaram também as brigas não apenas de vizinhos mas de jovens, criando um clima de insegurança que não é resolvido apenas com incursões pontuais da polícia. Em cenários como esse, é fundamental ir à raiz dos fatos, que nem sempre passam pela via da repressão, e sim pela prevenção.











