OLHAR PARA TRÁS


Por Tribuna

13/06/2013 às 07h00

Pesquisas eleitorais com prazo tão longo de antecedência, como é o caso das mais recentes, costumam olhar mais para trás do que para frente, o que cria, então, um cenário irreal sobre o verdadeiro pleito. Se as eleições fossem hoje, dizem os institutos, a presidente Dilma Rousseff seria eleita no primeiro turno, enquanto Marina Silva ficaria em segundo. Trata-se quase de uma obviedade, pois ambas estiveram nas urnas de 2010, enquanto os demais candidatos ainda tentam se firmar dentro de suas legendas.

A pesquisa interessa mais para o público interno do que à opinião pública, pois serve como vetor na tomada de providências. No caso da Presidência, a queda de popularidade indica que as ruas estão percebendo mudanças especialmente no cenário econômico – único fator, aliás, a causar incômodos -, exigindo, pois, a tomada de alguma atitude. Para os demais, os números indicam pontos frágeis, que precisam ser atacados, ou dados positivos, que carecem de reforço.

Pensar no pleito do ano que vem é um exercício exclusivo dos políticos. O eleitor, hoje, está mais preocupado com a economia e com os pruridos de inflação, não se interessando, sequer, pelos candidatos que poderão subir nos palanques do ano que vem. Tem sido assim nos últimos anos, e não há perspectivas de mudança. A cidadania é bem mais pragmática do que os políticos, que fazem dos números, além de um vetor, um elemento de articulações a favor ou contra o Governo. Se na base, como ponto de barganha; se no outro lado do balcão, como reforço para ampliar as críticas.