Redução de dano 

Casas que podem deslizar estão sendo demolidas; planejamento urbano precisa acontecer em Juiz de Fora


Por Tribuna de Minas

13/03/2026 às 07h00

As casas em Juiz de Fora condenadas ao deslizamento começaram a ser destruídas pela Prefeitura. O processo foi iniciado no Bairro Cruzeiro do Sul, na divisa com o Graminha. A Administração municipal, no entanto, já informou que novas demolições também vão acontecer no Bairro Esplanada. Mais detalhes, porém, não foram divulgados.

Esse é um processo que visa diminuir os riscos em um período já marcado pelas chuvas. Inclusive, as demolições no Cruzeiro do Sul precisaram ser antecipadas exatamente em razão do tempo instável. Os moradores tiveram menos tempo para retirar seus pertences dos imóveis, além de outros bens que ainda estavam no local, com segurança e acompanhamento da Prefeitura. As imagens são impactantes: oito casas que foram lar, muitas delas a realização do sonho de tantas pessoas, vieram abaixo rapidamente.

Elas representam uma parte muito pequena da realidade. Isso porque, em um vídeo, a prefeita Margarida Salomão informou que as chuvas da última semana de fevereiro deixaram quase duas mil moradias totalmente destruídas. O número cresce com o tempo. E há ainda muitas outras casas que sequer foram avaliadas pela Defesa Civil, principalmente em razão do alto número de acionamentos nos últimos tempos.

Isso porque uma em cada quatro pessoas de Juiz de Fora vive em área de risco. A cidade ainda é a terceira do país com maior área urbanizada em terrenos de alta declividade, ou seja, encostas com inclinação superior a 30%.

Esses dados mostram um fato: é preciso repensar o processo de urbanização das cidades. O crescimento desenfreado e sem planejamento só aumenta os riscos e deixa a população ainda mais vulnerável.

Já em dezembro, quando fortes chuvas deixaram diversos bairros da cidade alagados, com inúmeras perdas, a Tribuna publicou uma reportagem alertando para os riscos associados ao período chuvoso e às características urbanas da cidade.

Os especialistas ouvidos pela repórter Nayara Zanetti apontaram obras de macrodrenagem, fiscalização do uso e ocupação do solo, respeito à legislação ambiental e maior conscientização da população sobre o descarte correto de resíduos como medidas fundamentais para, ao menos, reduzir os perigos das fortes chuvas, que, é importante lembrar, tendem a se tornar cada vez mais frequentes.

A fiscalização, a partir de agora, deve ser feita de forma ainda mais eficaz. Demolir as casas é evitar que novos deslizamentos atinjam moradores de forma abrupta. É remediar a situação a partir de como se encontra hoje a urbanização de Juiz de Fora. Para o futuro, porém, impedir a construção de casas em encostas sem avaliação, em áreas de risco e nas proximidades de rios é salvar vidas. É a única forma de evitar novas tragédias.

As vidas perdidas em fevereiro e as casas destruídas são a veia aberta e exposta da cidade. Eternamente. E também um lembrete para que isso nunca mais aconteça.