DESGASTE NA BASE


Por Tribuna

13/03/2012 às 06h00

O viés técnico da presidente Dilma Rousseff tem sido uma barreira no seu relacionamento com o Congresso Nacional. Ela se esforça, mas fica claro que não tem o jogo de cintura nem a paciência do ex-presidente Lula, a quem recorre em momentos extremos para controlar a base. Seu estilo agrada a opinião pública, infensa ao lero-lero dos bastidores, mas não tem o mesmo efeito no mundo político, no qual o é dando que se recebe continua sendo a máxima para um bom relacionamento. No presidencialismo de coalizão, o Governo, mesmo tendo o poder de agenda e o direito de dar as cartas, fica refém de legendas mais organizadas, nas quais os interesses, muitas vezes, são tratados com grande dose de profissionalismo.

Em cenários como esse, fica difícil até fazer mudança. Ontem, ao se especular em torno da mudança do líder no Senado, com a saída do senador Romero Jucá (PMDB-RR), as primeiras reações surgiram já no Twitter. Embora esteja fora da cena de Brasília, o ex-ministro Hélio Costa observou que a presidente está comprando uma briga com o PMDB, a principal legenda aliada no Congresso. A mudança, que estava em curso ontem à noite, vem numa hora inoportuna, pois soa como uma pressão do PT. Na semana passada, depois de o Governo perder a votação do indicado para a ANTT, mesmo sendo indicado pela presidente, o senador petista Lindbergh Farias postou na rede mundial uma crítica dura ao colega, dizendo que era hora de ele pedir o chapéu.

Esta é apenas mais uma face do jogo político de Brasília, onde as demandas nem sempre são resolvidas em plenário. Jucá, há nove anos no cargo, prestou grandes serviços ao governo petista, mas sofre o desgaste da longevidade e da agora não tão tranquila convivência com o Partido dos Trabalhadores. A dúvida, se é que ainda tem, é saber quem será o sucessor. Dependendo da escolha, em vez de solução, o Governo pode ter comprado mais um problema.