BOLA DIVIDIDA
Pode ser que depois do carnaval a coisa ande, mas, desde o início do ano, o país está parado, à espera de definições nas instâncias de poder, ora em permanente confronto, ora com idas e vindas nas suas ações. A mais recente é a possibilidade de o Governo ceder nas mudanças efetuadas nos benefícios trabalhistas. Sob pressão da oposição, dos aliados e até mesmo de seu partido, o Planalto pode rever pontos do projeto da área econômica que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, considera serem cruciais para o patrocínio de outras causas. Segundo ele, no atual cenário, todos perdem, inclusive os projetos sociais.
As mudanças ganharam ênfase após o Datafolha mostrar os números da popularidade do Governo, que nunca esteve tão baixa como agora. Mas é necessário considerar que a situação não muda com simples decisões. O que incomoda o mercado são as indefinições oficiais. Como consequência, crescem as medidas de autoproteção, com reflexos imediatos, a começar pelo dólar. No turismo, já passou da casa dos R$ 3.
Além disso, a presidente Dilma Rousseff tem nos aliados um grande problema. O PMDB, o principal deles, tem planos de autonomia, não entrando em bola dividida quando os temas forem polêmicos. Ainda inconformado com seu “pouco espaço” no Governo, age de forma dúbia, ora apoiando, ora rejeitando medidas oficiais, como se fosse uma sigla independente.
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, manobra no Congresso e nos bastidores para fazer de sua legenda um espaço de protagonismo político, sem se importar com as consequências. Quem está de fora vive no espaço da dúvida.











