MUNDO CÃO


Por Tribuna

12/12/2014 às 07h00

Em termos absolutos, o Brasil é o país com o maior número de homicídios do mundo, tendo registrado uma média de 64.300 casos em 2012. De cada cem pessoas que são assassinadas no planeta, 13 casos ocorrem no país. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, responsável pelo estudo da violência, o país é seguido por Índia, México, Colômbia e Rússia. Levando-se em consideração a dimensão territorial, as áreas mais violentas são Honduras, Venezuela e Colômbia. Os Estados Unidos também estão na lista, embora distante dos primeiros lugares.

Os números são emblemáticos e apontam para a necessidade de políticas mais intensas, sobretudo quando se compara o viés econômico com a violência. Os países no topo da lista ainda ostentam diferenças abissais entre a população. Alguns, como a Índia, por força cultural, outros pela falta de políticas públicas ou que ainda são precárias ante a necessidade da população. No caso brasileiro, há um longo caminho a ser trilhado, sobretudo no enfrentamento das causas, a começar pelo narcotráfico, responsável pela maioria das ocorrências.

Em Juiz de Fora, em que os números de 2014 fecham acima dos cem casos, há, ainda, o confronto de gangues, que contribui ostensivamente para essa perversa estatística, na qual o pano de fundo é o número de jovens na faixa até 29 anos. Perde-se uma geração por conta da violência, algo que deveria fazer parte das discussões, sobretudo das instâncias políticas, ora mais preocupadas no “salve-se quem puder” na caça pelos corruptos.

O novo governo estadual deve, por exemplo, ouvir os pleitos da cidade, que passou as últimas gestões cobrando, sem êxito, a instalação do programa especial de combate aos homicídios “Fica vivo”. De acordo com a Secretaria de Defesa Social, os índices locais são baixos. Trata-se de um contrassenso, quando se desdenha da máxima “melhor prevenir do que remediar”.