CIDADE PARADA
Em tempos nos quais a mobilidade urbana tornou-se palavra de ordem nas administrações públicas, a cidade não pode se afastar de uma antiga discussão: a transferência da linha férrea para fora da malha urbana. Trata-se, é fato, de um projeto caro, mas já executado em outras metrópoles que viviam o mesmo drama de Juiz de Fora. A cidade fica parada quando os trens passam ou quando são obrigados a interromper bruscamente o seu trajeto, como no acidente de quinta-feira, no atropelamento de um homem. Num município dividido pela ferrovia, os danos são imediatos. Os transeuntes ficam apartados, tornando-se personagens de cenas como as apontadas pela Tribuna, na edição de ontem, quando, sem passarela, muitos apressados pulavam por cima da composição, colocando a própria vida em risco.
Quando começaram as primeiras discussões, falava-se num custo de R$ 100 milhões, que deve estar bem além nos tempos de hoje, mas trata-se de uma questão que não pode ir definitivamente para a gaveta, já que o crescimento da cidade é inexorável. A Prefeitura, até o ano que vem, deverá construir uma trincheira na passagem de nível da Rua Benjamin Constant, mas será apenas a solução de parte do problema. Com o aumento da frota de veículos, outras regiões continuarão sendo um problema constante, como é o caso na Avenida dos Andradas com a Rua Mariano Procópio, na altura do museu. Quando a cancela fecha, são provocadas longas retenções. E não há, no curto prazo, recursos para uma nova trincheira ou construção de viadutos.
A própria concessionária da malha ferroviária tem prejuízos, uma vez que, no trecho urbano, os trens são obrigados, por medidas de segurança, a reduzir drasticamente a velocidade, gerando mais custos com o consumo de combustível. Os atropelamentos geram demandas judiciais com uma certa frequência, mesmo sob a prova de não haver culpa da empresa ou dos maquinistas. Por outro lado, todos ganhariam com a retirada, pois o leito poderia ser utilizado como via expressa ou linha para transporte de passageiros, hoje, um dos gargalos da cidade.











