NA FACA OU NO TIRO


Por Tribuna

12/10/2011 às 07h00

A frase que dá título a este editorial foi dita por um menino de 14 anos, morador da Zona Norte da cidade, indicando que as demandas entre grupos já não se resolvem pelo diálogo, havendo uma clara exacerbação para o uso extremo das armas. As consequências estão nos números. O volume de ocorrências envolvendo adolescentes continua em ascensão, confirmando o próprio diálogo das ruas, agora resolvido na bala. A violência já não amedronta e seu uso tornou-se rotina nas medidas de intimidação ou de marcação de território. O pertencimento tornou-se norma, e o controle do espaço, uma necessidade. Para muitos, até de sobrevivência.

A juventude vive uma cultura de guerra, que a torna, também, o principal alvo. Todas as estatísticas apontam que as vítimas de arma de fogo estão na faixa que chega até os 29 anos. Pior do que isso é que a porta de entrada está cada vez mais baixa. O menino morto na noite de sábado tinha apenas 14 anos. No Brasil, a violência urbana e o trânsito matam mais do que guerras convencionais, e o preocupante é que a sociedade se indigna cada vez menos, surpreendendo-se com os números dos conflitos oficiais, mas não levando em conta que os confrontos forjados pelo tráfico ou pelos enfrentamentos das galeras são bem mais perversos.

O lado lúdico da violência, que agora também atrai meninas, é um dado preocupante, pois esses adolescentes vivem sob um equívoco que pode custar-lhes a vida. Nessa faixa, deveriam, sim, estar envolvidos em ações que os levassem ao futuro, e não ao presente de incertezas, de inseguranças e da falsa impressão de que está tudo bem, ou dominado, como fazem questão de dizer.

Os especialistas se fixam no discurso clássico: investimento na família e ações sociais do Estado sem, é claro, se esquecer do viés repressivo; mas todas essas propostas não têm sido suficientes para mudar os números. Todos os esforços – louváveis, por sinal – não estão dando conta do problema, deixando a impressão cada vez mais nítida de que a sociedade entrou num beco sem saída.