SOB PRESSÃO
Um dia após dizer que ficaria tudo como antes, o Senado Federal aprovou Proposta de Emenda Constitucional que proíbe a escolha de parentes como suplentes de senadores. O texto passou por unanimidade graças à má repercussão nas ruas do gesto anterior. Também foi reduzido o número de suplentes, de dois para um, mas ainda é possível herdar o mandato dos titulares em caso de vacância definitiva. A única abstenção foi do senador Edson Lobão Filho, suplente do pai, que virou ministro, e que, por razões óbvias, ficou sem jeito de votar. Dos três senadores mineiros, dois – na véspera – tinham sido contra a mudança. E também por razões óbvias: Clésio Andrade (PMDB) herdou o mandato do titular Eliseu Rezende, morto quatro anos após tomar posse, e Zezé Perrela (PDT), que assumiu um mandato inteiro do titular Itamar Franco, morto com oito meses de atuação.
A mudança foi um avanço, mas não cessa a discussão, pois o suplente continua sendo um ente estranho ao eleitor, pois não é votado, mas ganha o direito de assumir o cargo em caso de vacância. Na maioria das vezes, são financiadores de campanha que entram na chapa sob a condição de cumprir determinado tempo do mandato como forma de compensação. A meta é acabar com a figura do suplente, dando posse ou ao deputado mais votado, e que ficou fora da lista dos eleitos, ou ao candidato a senador que ficou em segundo lugar.
O Senado Federal, nas suas idas e vindas, agiu da mesma forma que o Governo. Põe o bloco na rua, avalia a repercussão e, dependendo dos impactos, como foi neste caso, recua na sua pretensão. Já a presidente Dilma anunciou uma Constituinte, foi induzida a mudar de ideia e colocou na pauta o plebiscito para 2014, no que também foi derrotada. Em ambos os casos, consolidou-se a prova da falta de rumo nas ações políticas após as manifestações nas ruas, sobretudo pelo tom amplo que tiveram, bem diferente das de ontem, quando sindicalistas se apresentaram com pautas específicas, marcando sua posição.











