PELA FORÇA


Por Tribuna

12/05/2012 às 07h00

A decisão da Secretaria de Estado da Defesa Social de regulamentar as internações voluntárias de usuários de crack e outras drogas é mais uma entre tantas outras tentativas do Estado de enfrentar uma questão que se tornou preocupante em todo o país. É necessário, porém, cuidado na sua aplicação para evitar o que o próprio Governo entende por higienização, isto é, a retirada dos usuários pela simples necessidade de afastá-los das ruas, sem uma perspectiva de tratamento. Pelo modo como muitos projetos são desenvolvidos, é necessário advertir: começam bem, mas enfrentam, posteriormente, problemas sérios na sua execução, ora por falta de equipes, ora por falta de equipamentos adequados.

Não se trata de um cenário estranho à opinião pública. O país é pródigo em exemplos de entidades que têm uma camuflagem que atrai bons comentários externos, mas, se vistas sob lupa, têm sérios problemas. Pode até ter sido um problema isolado – o que é mais provável – mas a descoberta de drogas num abrigo de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade é um caso emblemático. O projeto é importante e tem dado resultados, mas o descuido levou a droga para dentro da instituição.

Ao retirar os usuários de crack das ruas, mesmo com o aval da família, o Estado tem que garantir que ele será tratado, e não retido pura e simplesmente. Por isso, há a necessidade de estrutura adequada em sentido amplo. No caso do abrigo, os próprios órgãos internos da Prefeitura estão cobrando explicações dos gestores, a fim de resolver o problema e evitar sua repetição. O mesmo se diz, então, no caso das internações involuntárias. Não basta tirar o viciado das ruas; é preciso garantir que ele não terá meios de voltar às drogas, mesmo estando afastado das áreas de uso.