SE CERCAR…
Diz o folclore das ruas que o Congresso Nacional, se cercar, é hospício. Se cobrir, vira circo. Os parlamentares, em boa parte, fazem de tudo para justificar essa máxima. Na audiência da CPI da Petrobras em que era ouvido o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, João Vaccari Neto, um funcionário da Câmara soltou vários roedores no plenário, tumultuando a sessão. O gesto, porém, não era para atrapalhar o encontro, e sim para estabelecer uma crítica direta aos personagens. Agiu sozinho, mas há indícios de ter obtido respaldo de parlamentares. Alguns deles, como Paulinho da Força, chegaram a dizer aos jornalistas para que ficassem atentos ao que estava para acontecer. Admitiu conhecer o fato, mas negou ter autorizado, embora o autor tenha sido seu assessor por vários anos.
O depoimento de Vaccari foi dentro do esperado. Falou sobre suas ações, negou as acusações e inseriu outros partidos na lista de beneficiários das doações de empresas. Cumpriu o roteiro e foi para casa. Com os deputados, ficou o constrangimento de um evento cujas imagens percorreram o mundo, apontando as mazelas do Legislativo, que não consegue dar conta de suas prerrogativas.
Deputados e senadores ainda não entenderam que, a despeito de todos os dados apontarem para o Governo, o desgaste do Congresso é bem mais acentuado. Vários políticos estão sendo investigados, entre eles os presidentes da Câmara e do Senado, e outros ainda correm o risco de ser chamados a dar explicações. Ontem, a Polícia Federal, cumprindo ordem judicial, prendeu quatro ex-deputados, numa clara demonstração de desgaste da instituição. Órgão de Estado e não de Governo, a Polícia Federal está desvendando esquemas de toda ordem, apontando que a corrupção não é setorizada. É, sim, e lamentavelmente, um caso endêmico por todos os lados.











