JOGO ZERADO
A aliança entre o governador Eduardo Campos (PSB) e a ex-ministra Marina Silva (Rede Sustentabilidade), embora ainda seja de futuro incerto, zerou o jogo político que caminhava para a polarização entre PT e PSDB, como vem acontecendo nos últimos 20 anos. Pelo menos nas articulações, o cenário é outro, tanto no olhar do Governo quanto na ótica da oposição. No Planalto, a corrida, agora, é para cultivar os aliados, o que faz da presidente Dilma Rousseff mais refém dos interesses de sua base. A sanção do projeto que estabelece a hereditariedade no sistema de táxis é a primeira prova. O gesto, a claro contragosto da presidente, se opõe às medidas tomadas nos cartórios. O mesmo governo acabou com a passagem do domínio de pai para filho, obrigando à realização de concurso.
Na oposição, o candidato Aécio Neves ganhou concorrência de peso e ainda retomou uma demanda interna que já se considerava superada. Ao permanecer no PSDB e ver a criação de uma eventual terceira via, o ex-governador José Serra mudou o discurso. Mais do que um militante em favor do senador mineiro, ele se cacifa, de novo, a ser o representante tucano nas eleições do ano que vem. Pode ser mera coincidência, mas, nas últimas horas, após a dobradinha Campos/Marina, ele voltou a aparecer em eventos públicos e disse, textualmente, que o candidato do PSDB só será definido em março. Se Aécio fosse o único postulante, não haveria razão para tal adiamento. Serra também está no jogo.
O processo de articulação não se esgota nos bastidores de Brasília. Tanto o Governo quanto a oposição precisam definir os quadros regionais, sob o risco de ficar isolados nos acordos federais, sem apoio dos estados. Esse é o principal problema do PSB. Nem todos os socialistas concordam com a coligação com os sonháticos, ainda mais por conta de Marina Silva. Como José Serra, ela também não entrega os pontos, mesmo estando – e também como ele – em desvantagem nas articulações. Ambos sonham que ainda podem ser candidatos com base em pesquisas. Muita água ainda passará por baixo da ponte.











