AÇÃO DE TODOS


Por Tribuna

11/09/2012 às 07h00

Uma das principais queixas dos comandantes militares, no caso da PM, e dos delegados, quando se trata da Polícia Civil, é o ônus exclusivo jogado sobre seus ombros por conta da segurança pública, quando, no entendimento das diversas corporações, outros segmentos, inclusive a sociedade, também têm parte de responsabilidade no cenário de violência que se vê pelo país afora. Tanto a PM quanto a Civil são a face explícita do Estado no combate ao crime, e cabe a elas o enfrentamento direto não só no viés repressivo, mas também investigativo. Estas polícias, porém, têm razão em apontar que há questões que podem ser ocupadas por outras instâncias, a começar pelo Poder Judiciário. Afinal, um dos dilemas dos policiais é prender, e a Justiça soltar.

Não se trata, é claro, de uma ação deliberada, mas fruto da legislação em curso que exige o rígido cumprimento do processo legal. Quando há incertezas ou o inquérito é frágil, a lei adota a dúvida a favor do réu, por se tratar de uma medida para garantir direitos. O Judiciário age por conta do aparato legal à sua disposição, o que remete a questão, então, para o Legislativo, a quem cabe a responsabilidade de fazer leis. Mas essa remissão seria fácil se o problema fosse apenas a legislação. Ao contrário, o país é pródigo em leis, mas faltam estruturas para a sua execução. As cadeias públicas estão lotadas, e os programas de ressocialização são precários. Ademais, o ponto principal de investimento passa necessariamente pela educação, pela saúde ou pela geração de empregos, além de outras demandas próprias dos governos.

Na edição de domingo, a Tribuna, por meio do caderno Voto & Cidadania, chamou os candidatos a prefeito para o debate e constatou que todos sabem que a segurança tem várias frentes, havendo espaço para ação das prefeituras. Os investimentos sociais são uma ação estratégica, pois combatem o problema na sua origem, já que está claro que a família, quando não estruturada, é fonte primária de obstáculos. Como todos os postulantes se prestaram a dar sugestões, e a atual gestão apontou programas em curso, a meta é cobrar a manutenção de ações positivas e insistir na adoção de outros programas, alguns de origem no Estado e na União.