Fim das cancelas na BR-040: entenda o ‘free flow’, pedágio eletrônico, que chega a Simão Pereira
Pedágio eletrônico substitui parada obrigatória, mas obras na Serra de Petrópolis ainda não têm prazo
De acordo com dados do Dnit, as rodovias pedagiadas, quando se estabelece um ranking de qualidade, ocupam as primeiras posições. A razão está no próprio volume de investimentos. Enquanto as estradas sob controle do órgão federal ou dos departamentos estaduais carecem de ações, ante a falta de recursos, as vias sob concessão têm meios para a implementação de obras.
No caso da região, é possível ver esse contraste. Sob concessão em todo o trecho entre Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a BR-040 tem condições totalmente favoráveis, enquanto a BR-267 ainda tem trechos considerados críticos. As obras de manutenção são pontuais, mas incapazes de colocá-la na lista das mais seguras.
No início da semana, após um acordo coletivo, ficou definida a manutenção do pedágio de Simão Pereira, que esteve prestes a ser deslocado para a cidade de Levy Gasparian, já em território fluminense. Na audiência de conciliação convocada pelo Ministério Público Federal, foi acertado que a nova praça será mantida em solo mineiro.
A novidade foi a mudança de modelo de cobrança, também aprovada na audiência. A Elovias – concessionária responsável pelo trecho Rio de Janeiro/Juiz de Fora – anunciou a implantação do “free flow”, definido como “pedágio eletrônico em livre passagem”, já que não obriga o condutor a parar. Na matéria de Sandra Zanella, publicada no dia 9 de agosto, nesse formato, de acordo com a ANTT, a cobrança de tarifa elimina praças físicas e cancelas. “Os veículos passam por pórticos que identificam automaticamente TAGs ou placas, e a cobrança é feita de forma eletrônica no uso da via. O modelo busca mais fluidez, segurança viária, redução de emissões e modernização do sistema de concessões.”
De fato, além da redução do tempo de parada, o modelo é imune a evasões. A questão, agora, é saber quando vai ocorrer a sua implantação.
Paralelamente à mudança na cobrança, a Elovias também herdou compromissos de obra da antiga concessionária Concer. Está apenas no primeiro ano de concessão, mas precisa dar respostas rápidas, envolvendo, sobretudo, os prazos de obras importantes para a segurança dos usuários. Quando venceu a concorrência, anunciou que manteria os projetos da Concer envolvendo as obras na Serra de Petrópolis.
No pacote estão a duplicação da via e, sobretudo, a construção de um túnel de cinco quilômetros que tiraria o trânsito das sinuosas curvas da rodovia. Hoje, a divisão de espaços com veículos de grande porte – especialmente as conhecidas cegonheiras, que transportam automóveis – é um risco constante, já que ocupam totalmente a pista para execução de suas manobras.
Ademais, trata-se de um trecho instável em tempos de chuva e neblina. Há sempre a possibilidade de deslizamento, somada à visibilidade comprometida.
Em suma, mesmo com resistências de parte da comunidade, a manutenção do pedágio em Simão Pereira implica ganhos econômicos para a região. A mudança do modelo de cobrança dará fluidez. Restam, pois, duas pendências: o prazo do free flow e o cronograma das obras na Serra de Petrópolis.









