JOGO DE CINTURA
Colocados à margem durante as recentes manifestações que mobilizaram milhões de brasileiros pelo país afora, sindicatos e partidos de esquerda vão hoje às ruas, mobilizados por suas lideranças, num protesto que tem uma marca difusa sobre seu principal objetivo. Para uns, será para apontar a importância da via política como meio de transformação. Para outros, um gesto de solidariedade ao Governo, especialmente à presidente Dilma, emparedada nos últimos episódios e ainda em crise com o Congresso Nacional.
No primeiro caso, o argumento faz sentido, uma vez que a instância política, desde que bem conduzida, é o principal canal de articulação para defesa dos interesses coletivos. Se os partidos agem mal, que passem por transformações, mas não devem ser apartados do processo, como ocorreu nos atos de junho. Na ocasião, militantes e bandeiras foram afastados das ruas, como se fossem elementos estranhos ao processo. E não são, embora os próprios partidos tenham direta responsabilidade nessa rejeição.
Quanto ao apoio ao Governo, trata-se de uma questão ideológica que precisa ser bem conduzida para chegar até a opinião pública. Parte dos problemas do Planalto não se dá diretamente com as ruas, mas com o Congresso, com quem é levado a manter uma relação fisiológica, por conta das coalizões. As recentes decisões são provas dessa falta de jogo de cintura. A presidente, em vez de projetos, optou por medidas provisórias para cobrar dois anos de serviços ao SUS pelos médicos. A despeito de sua importância e necessidade, o programa Mais médico não chegou a ser discutido com as demais instâncias. Ocorreu o mesmo com a Constituinte, para fazer a reforma política, e com o plebiscito, ambos enterrados com apoio da própria base governista.
O resultado dos eventos de hoje será emblemático para definir se a opinião pública fez as pazes com os partidos e se concorda com o projeto das centrais sindicais, muitas delas, nos últimos anos, cooptadas pelo Governo, ficando distantes dos próprios trabalhadores.











