NA PRÓPRIA CARNE


Por Tribuna

11/06/2015 às 04h00

O anúncio de corte de comissionados e outras medidas de contenção feito pelo prefeito Bruno Siqueira é a única alternativa para se enfrentar o cenário de crise econômica que afeta todos os segmentos. Embora não tenha o lucro como fim, como o setor privado, as administrações públicas precisam se adequar, a fim de manter a sua capacidade de endividamento e, por consequência, obter recursos para seus projetos.

O corte nos cargos comissionados, porém, sinaliza para uma outra questão: o preenchimento de postos por conta do processo político. A cada governo, uma leva de funcionários de confiança ingressa no serviço público, por conta dos compromissos de campanha, e nem todos saem na mudança de comando. Com isso, prefeituras e governos estaduais têm sua estrutura inchada. A decisão do prefeito, portanto, é pedagógica, mesmo diante do ônus político que implica um período próximo da jornada eleitoral.

O arrocho nas contas é a solução que resta quando não há meios de tocar a máquina pública ante a desidratação de recursos. A crise afeta o setor produtivo, implicando a redução de tributos como ISS, ICMS e repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Prefeituras que dependem basicamente do FPM, como as de pequeno porte, estão de mãos e pés atados à espera de melhores dias, que ninguém sabe quando virão. A presidente Dilma Rousseff anunciou um pacote de investimento na infraestrutura, o que é correto, mas não deu perspectivas para os municípios no curto prazo.

Ante as incertezas, o dever de casa é manter as contas em dia, para não prejudicar serviços essenciais nas áreas essenciais, já que as cidades não param.