ANTES DA HORA


Por Tribuna

11/03/2014 às 06h00

Na ansiedade de ocupar espaços, lideranças políticas estão, como diz o jargão do interior, colocando o carro na frente dos bois. É o que é possível depreender do nível dos discursos que marcaram as últimas horas envolvendo atores da sucessão presidencial, assessores diretos e presidentes de partidos. Para piorar ainda mais a situação, o pré-candidato do PSB, governador Eduardo Campos, disse textualmente que ninguém aguenta mais quatro anos da presidente Dilma Rousseff. Até então, não fulanizava a discussão, fazendo análises genéricas do quadro político. Agora, não. Apontou o dedo diretamente para a chefe do Governo, fazendo eco a setores que discordam dos métodos por ela adotados, a começar por parte do PMDB. O senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse estar envergonhado com a postura de seu partido, que está barganhando acordos que não serão cumpridos.

A temperatura subiu por conta do impasse que se estabeleceu entre os dois principais partidos da base aliada, que têm mais gente colocando lenha na fogueira do que bombeiros. Numa briga que tem como pano de fundo o horário na televisão e a cessão de cargos, PT e PMDB estão fornecendo munição para os opositores, num impasse que se espalha pelos estados. Não foi de graça, por exemplo, que a direção estadual do PSDB se encontrou com o comando peemedebista de Minas – um dos focos de problema por causa da sucessão estadual.

Antes mesmo da oficialização das candidaturas, e tendo uma Copa do Mundo no meio do caminho, a sucessão se desenvolve antes da hora, embora parte dessas brigas tenha como fundo marcar posição. Mesmo que o jogo não tenha começado, o tom dos pronunciamentos pode criar cenários sem volta, sobretudo se não houver entendimento até abril, quando começam as primeiras convenções oficiais.