OUTROS CAMINHOS


Por Tribuna

11/01/2012 às 07h00

As chuvas de janeiro produzem tragédias, apontam a leniência de autoridades e mostram outros problemas, como a qualidade das vias de acesso aos municípios. A queda de pontes, comum ante a fúria das águas, tem ilhado cidades e deixado populações inteiras à mercê da própria sorte até a chegada de ajuda. Guidoval, com a queda de um viaduto, foi socorrida por militares, que improvisaram uma ligação; em Sapucaia – onde a Tribuna esteve ontem -, somente no final da tarde foi liberada parte do acesso à BR 116. Enquanto isso, a BR-267, Juiz de Fora-Leopoldina, ficou com toda a carga. Moradores de Coronel Pacheco e outras cidades tiveram que fazer baldeação para chegarem a Juiz de Fora ante a queda de parte da pista da MG-353.

Neste caso, o destino agiu com ironia. Há tempos se discute um novo acesso à BR-040 sem carecer de entrar na área urbana de Juiz de Fora nem passar pela Serra das Bananas, onde ocorreu o deslizamento. O caso continua emperrado pela burocracia, aguçado pela falta de recursos imediatos para a sua execução. Estivesse o Aeroporto Regional em pleno funcionamento, com o viés industrial, o transporte de cargas entraria em colapso, com os usuários, como ora ocorre com os demais, a acrescentarem um trecho de 100 quilômetros em sua rota para cortar caminho.

Não há inoportunidade em discutir o tema, pois é necessário avaliar que as vias de acesso rodoviário, num país que abriu mão dos trens, devem ter atenção permanente, o que não é o caso do Brasil, onde os órgãos responsáveis pela manutenção são marcados mais por escândalos do que por ação. No ano passado, o Dnit ocupou mais páginas policiais do que de transportes, numa clara constatação de mau uso do dinheiro público. Passado o período das chuvas, será vital voltar ao tema, pois a região não pode ficar sob risco de isolamento a qualquer intempérie.