JOGO POLÍTICO
O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, já em Buenos Aires para a posse do segundo mandato da presidente Cristina Kirchner, disse estar tranquilo apesar das denúncias que contra ele pesam de ter praticado tráfego de influência no trabalho de consultor. Na quinta-feira, numa conversa de dez minutos, ele teria dado explicações à presidente Dilma, e disse que não se importa em comparecer ao Congresso, desde que seja convidado. Melhor assim, pois o parlamento é a casa ideal para explicações, desde que seja para uma audiência sem o jogo de cena costumeiro em tais ocasiões, quando a base do Governo blinda o entrevistado impedindo uma discussão séria sobre o tema que motivou a reunião.
Indagado sobre o que achava, o governador de Minas, Antonio Anastasia, não escondeu sua amizade pelo ministro, mesmo estando em trincheiras partidárias opostas. Para ele, até que se prove o contrário, Pimentel merece toda a sua confiança. O mesmo – mas defendendo a visita ao Congresso – disse o senador Aécio Neves, principal patrocinador de uma aliança que levou o empresário Márcio Lacerda à Prefeitura de Belo Horizonte, em 2008, tendo como principais apoiadores o PT de Pimentel e o PSDB.
As denúncias contra o ministro fazem parte de uma rotina dos fins de semana, quando jornais e revistas estampam fatos contra membros do primeiro escalão do Governo, mas que devem ser vistas com uma certa reserva, não no sentido de escondê-las, mas para não transformarem a mídia em inquisidor e, muito menos, os envolvidos, antecipadamente, em culpados. Denunciar faz parte do trabalho, assim como é reservado a todos o direito de defesa. O problema é a politização que não permite investigações profundas, em função da blindagem do Governo, nem esclarecimentos consistentes, tornando os episódios um enfrentamento entre governistas e oposição.










