Mesmo tendo saído prestigiado das reuniões com a Executiva de seu partido e com a presidente Dilma Rousseff, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, corre o risco de sair em função da arrogância. Mesmo que diga que sua fala foi descontextualizada, ele disse textualmente que só deixa o cargo se for a bala, e que não acredita que a presidente Dilma o demita, pois o conhece há 30 anos. Por menos do que isso, mas também por falar demais, o então ministro da Justiça, Nelson Jobim foi convidado a deixar o cargo. E com uma diferença abissal: contra ele não pesava nenhum tipo de acusação, exceção ao ego permanentemente inflado que o colocou em rota de colisão com os próprios colegas de Esplanada.
Natural de Campinas (SP), mas com vida política feita no Rio de Janeiro, o ministro é um homem experimentado, mas erra ao achar que é falando alto que garante sua permanência no Governo. Ledo engano. A presidente que fez um propósito de não se pautar pela mídia, já mostrou ontem que não gostou nem um pouco do tom por ele utilizado, pois lhe pareceu um desafio ao próprio Governo. Na verdade, Lupi só não caiu por conta do PDT, que tem bancada consistente na Câmara e avisou que iria se bandear para a oposição se ele fosse demitido.
Mas é necessário lembrar que o PCdoB cumpriu o mesmo ritual. Apoiou seu ministro, ameaçou o Planalto, mas, quando percebeu que ficaria sem os dedos e os anéis, não teve dúvida em entregar a cabeça de Orlando Silva. Lupi é mais difícil, pois preside o partido e controla boa parte da bancada, mas há muito tempo deixou de ser unanimidade, tendo adversários internos poderosos como o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira, e o deputado Miro Teixeira, que tem competência e conceito dentro da bancada.
Em situações como essa, ficar em silêncio seria mais prudente, mas pode ser muito para Lupi, afeito ao debate duro desde os tempos em que foi secretário de Transportes do Rio de Janeiro e, sobretudo, a partir de 2004, quando assumiu a presidência do diretório nacional do PDT substituindo Leonel Brizola, uma das vozes mais contundentes da história política do país.










