BOAS FALAS


Por Tribuna

10/10/2014 às 06h00

Na sua primeira entrevista, após assumir a Delegacia de Homicídios, o delegado Rodrigo Rolli advertiu que Juiz de Fora não pode viver um clima de faroeste, referindo-se ao excessivo número de crimes contra a vida – consumados ou não – que neste mês já passou da casa dos cem. Ele se referia especificamente ao caso da Uaps do Bairro Santa Rita, onde um homem foi morto enquanto esperava atendimento, em plena luz do dia, e outro, que não tinha qualquer envolvimento com o caso, foi gravemente ferido por estar no lugar errado na hora errada. Os autores, segundo testemunhas, ainda teriam advertido que matariam quem abrisse o bico. O delegado disse que eles já estão identificados, mas ainda não foram presos.

A entrevista foi um indício de boas falas, mas é necessário ressaltar que outros delegados e outras delegacias também têm o mesmo propósito, esbarrando, na maioria das vezes, na falta de estrutura que afeta a Polícia Civil. Ademais, a violência não é apenas questão de polícia, pois, muitas vezes, os autores de crimes são identificados e presos, mas acabam soltos por circunstâncias legais. Investir na origem desse ciclo envolvendo principalmente adolescentes e jovens é uma das principais metas.

Na edição de ontem, a Tribuna mostrou uma sequência de fotos nas quais duas estudantes entram em luta corporal perto de escola no Bairro Barbosa Lage. Conflitos entre estudantes sempre ocorreram, mas as razões de hoje são outras: passam pela busca de identidade e, sobretudo, por serem resultado de uma litigância permanente entre galeras. Enquanto nos outros tempos os conflitos não iam adiante, hoje, são o passo inicial para ocorrências mais graves. Até homicídios.