RUAS DA CIDADE
O tráfego de carroças pelas ruas centrais de Juiz de Fora, mesmo diante de tantos riscos e da sua repercussão no trânsito, continua sendo uma demanda que vence o tempo. Há restrições legais impostas pelo Código de Posturas, mas os condutores continuam usando avenidas e ruas. Não há como multá-los, como observam as próprias autoridades do trânsito, não apenas pela falta de placas para oficializar algum tipo de autuação, como o próprio poder monetário dos carroceiros. Com rendimentos no limite, não têm como pagar qualquer tipo de multa. A Tribuna registrou novos flagrantes e encontrou cenas preocupantes, pois, num cenário em que o trânsito das metrópoles é cada vez mais intenso, retenções desse tipo comprometem ainda mais a circulação, já que não são temporárias, como as obras que modificam o fluxo, sobretudo, na Avenida Rio Branco.
Não se desconhece o lado social e a dificuldade de adequação desses profissionais em outras atividades, mas 150 carroças não podem prejudicar a movimentação de quase 200 mil veículos registrados em Juiz de Fora. Se, pelo menos, cumprissem as restrições da área central, ou até mesmo os horários de pico, estariam colocando em prática o princípio da razoabilidade. Mas nem isso ocorre. Juntos com os catadores de papel, eles formam pontos consideráveis de retenção. Estão trabalhando em busca do sustento, é fato, mas é necessária uma solução em nome de uma segurança coletiva – sobretudo desses próprios condutores. Sem sinalização, os carros dos catadores surpreendem os motoristas, muitas vezes, levados a paradas bruscas.
Na última terça-feira, uma carroça que descia pela Rua Antônio José Martins, no Centro, carregada com restos de construção civil, perdeu o controle e derrubou todo o material sobre um veículo. O carro atingido estava estacionado em um posto de gasolina, na Avenida dos Andradas, bem em frente à rua de onde veio o veículo de tração animal. Foi um incidente de danos materiais, mas há registros de casos nos quais o resultado poderia ter sido mais grave.










