PRECES DE SARNEY


Por Tribuna

09/12/2011 às 07h00

Durante celebração da missa pelo encerramento do ano legislativo, ontem, em Brasília, o senador José Sarney, presidente do Congresso, pediu a Deus que ajude a instituição a preservar os valores morais e a trabalhar pelo país. Não fosse o momento, a fala do parlamentar soaria como um escárnio, pois os valores morais andaram em baixa ao curso do ano, com mazelas de toda sorte e atitudes pouco dignas da representação dada aos deputados e senadores. Como preservar os valores morais quando uma deputada – Jaqueline Roriz – é absolvida pelo Conselho de Ética mesmo diante de sólida acusação de receber dinheiro público para fazer campanha? O argumento de o fato ter ocorrido antes do mandato e que permitiu sua absolvição não tem qualquer respaldo ético ou moral.

Trabalhar pelo país, como ressaltou Sarney, é importante, mas muitos políticos têm trabalhado primeiro para si próprios ou feito uso de verbas do Estado para desenvolver ações de seu único interesse, reforçando a tese de que o patrimonialismo continua forte e atuante nas instâncias de poder. O próprio presidente da Casa não fez qualquer gesto para impedir que uma fundação que leva o seu nome no Maranhão passasse a ser gerenciada com recursos oficiais, embora o estado seja um dos mais pobres da federação.

Tão logo Sarney fez o pedido, um político de suas relações foi irônico: A base veta mais recursos para a Saúde, vai aprovar a DRU e ainda quer uma ajudinha divina? É demais, né, aludindo à votação em que foi rejeitado o pedido para elevar para 10% os repasses para a Saúde. O veto do Governo teve respaldo da bancada governista, da qual o ex-presidente faz parte.

Embora em 2012 estejam sob pressão das urnas os prefeitos e os vereadores, o Congresso vai mesmo carecer de ajuda divina para levar suas metas adiante. Desafios não faltam, mas a vontade política tem sido colocada em segundo plano, prevalecendo, ora o interesse do Governo, ora o interesse particular dos parlamentares, ficando o coletivo em outro plano.