DE CIMA PARA BAIXO


Por Tribuna

09/11/2012 às 07h00

Ao analisar os desdobramentos do julgamento do mensalão, o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, disse que ele prestará uma enorme ajuda no combate à corrupção, mas ressalvou que a postura do Supremo Tribunal Federal deve ser seguida pelos juízes das demais instâncias, isto é, pelo Judiciário em todo o país. O argumento faz sentido, mas carece de ampliação. O seu discurso se remete apenas ao poder que julga demandas geradas pela sociedade. Daí, antes mesmo de os impasses chegarem aos tribunais, a corrupção deve ser combatida pelos demais segmentos, incluindo os partidos, a quem cabe primariamente a escolha dos candidatos.

Antes das campanhas, o debate crucial dos diretórios é a montagem de chapas. Em alguns, a dificuldade é filtrar por conta da demanda, em outros, a questão é encontrar filiados dispostos a ir às urnas. Em ambas as situações, porém, a preocupação com o perfil dos candidatos é mínima, não havendo ações de verificação de sua ficha, valendo apenas o seu potencial eleitoral. Fins justificam os meios, e as escolhas soam como apostas: se a Justiça aprovar, muito bem. Caso contrário, procura-se outro.

O que o Supremo diz aos partidos e aos demais juízes é que não deve haver espaço para transigir com aqueles que fazem do jogo de poder um caminho fácil para ilícitos. O publicitário Marcos Valério foi um dos que acreditaram nessa máxima, transitando por gabinetes privilegiados, vendendo facilidades, sob a garantia de impunidade. Deu no que deu.

O discurso do ministro Jorge Hage diz que esse tempo acabou, devendo ser a política um instrumento de promoção coletiva, como diz a própria essência do voto, que é uma procuração do eleitor, em vez de um passaporte para ações pessoais. Mas tudo só irá adiante, como ele também lembra, se as demais instâncias comprarem o discurso do STF.