OS INFILTRADOS


Por Tribuna

09/10/2013 às 07h00

A quem interessa os atos de vandalismo que ora ocorrem no Rio de Janeiro e em São Paulo, em suposto apoio aos professores? Na última segunda-feira, uma manifestação pacífica terminou em confusão, depois de mascarados iniciarem uma série de depredações a prédios públicos e privados, chamando a polícia para o confronto, embora esta, no início das manifestações, sequer estivesse presente nos atos na Cinelândia.

Estes manifestantes, em vez de contribuírem para as discussões, estão colocando a opinião pública contra um movimento legítimo, que se faz presente por questionar o modo como a discussão está sendo feita: uma lei aprovada sem debate por uma Câmara refém do Executivo. Desde o início, os professores têm se posicionado contra o texto, mas evitando ações de truculência.

A interferência de agentes externos é comum em grandes manifestações, sobretudo quando elas se enquadram num cenário amorfo, no qual não há uma causa comum. Desta vez, não. Os professores discutem temas pontuais e não carecem do jogo bruto para virar a discussão com os vereadores e com o prefeito Eduardo Paes. Até mesmo a solidariedade paulistana é suspeita, pois partiu pelo mesmo viés da violência.

Para alguns segmentos, o Estado só reconhece os protestos quando estes partem para atos extremados, mas nem sempre é preciso esticar tanto a corda, sobretudo quando a opinião pública já definiu o seu lado.