TOMA LÁ, DÁ CÁ
Líderes aliados do Governo começaram a fazer um pente-fino na lista de cerca de três mil vetos pendentes de votação para ver quais realmente serão apreciados a partir da próxima semana. O que deveria ser um mero ato formal, próprio para descongestionar a pauta, é, na verdade, uma retaliação ao próprio Governo pelo excessivo número de vetos, a começar pela Medida Provisória dos Portos, aprovada há 15 dias, mas que passou pela tesoura da presidente Dilma Rousseff. Membros da base governista se disseram traídos, pois não foi esse o trato, quando o Congresso virou noites analisando o texto e aprovando-o depois de uma sessão que durou mais de 24 horas.
Trata-se do conhecido toma lá, dá cá da política nacional, no qual os partidos aliados, a despeito de cederem às pressões do Executivo, usam de suas prerrogativas para fazer negócios. Quando contrariados, agem dessa forma, dando recados diretos objetivando virar o jogo. Embora as cúpulas partidárias digam que não querem causar problemas para o Planalto, nada fazem objetivamente para impedir as ações nos bastidores.
A situação se agrava pelo modo de agir da presidente da República. Enquanto seus antecessores Fernando Henrique e Luiz Inácio Lula tinham jogo de cintura, agradando os aliados para obter resultados, a presidente Dilma é de outra escola. Mesmo que se diga que está aprendendo a fazer política – sobretudo por ser um período pré-eleitoral -, seu estilo ainda causa desconforto aos políticos do balcão, que entendem que é dando que se recebe, fazendo do mandato um caminho mais curto para conseguir benefícios pessoais ou para seus grupos.











