PERIGO AO LADO


Por Tribuna

09/05/2012 às 06h00

A cidade tem motivos para celebrar o Dia Municipal do Idoso, a despeito das notórias dificuldades desse segmento. As razões estão em diversas ações promovidas, já a partir do ano passado, como a criação de uma cartilha de orientação sobre os direitos do consumidor, projetos de lei protegendo-os contra os abusos de instituições financeiras em torno de empréstimos consignados, curso de capacitação de motoristas e cobradores e lei aumentando o tempo de permanência na área azul, além de normas induzindo à reciclagem de profissionais de atendimento. Em tão pouco tempo, conquistas como essas são representativas, mas é preciso, porém, ir além. Na edição de ontem, a Tribuna enumerou demandas em andamento e outras que ainda estão no papel, mas todas num cenário otimista por ter a chance de ser implementadas.

Há, no entanto, pontos que precisam do envolvimento da própria sociedade e das famílias em particular, principalmente quando se trata da violência contra idosos vulneráveis. O número de ocorrências é preocupante, pois são gestos graves como roubos, agressões e mortes. No mês passado, uma idosa de 79 anos foi morta dentro de sua residência por dois jovens de 18 e 22 anos. Os responsáveis pela morte de Ana Esther Scheffer eram seus vizinhos, numa prova de que, em boa parte das vezes, o perigo mora ao lado. Ambos foram presos, mas familiares e amigos fizeram manifestação pedindo justiça, por temerem o risco de eles estarem fora da cadeia antes da hora. Um deles estava sob liberdade condicional.

Embora não haja dados estatísticos, as ocorrências diárias são prova dos riscos da terceira idade, confirmando que, mesmo com todos os avanços, ainda há um despreparo generalizado para acolher esse segmento. Como bem lembrou a gerontóloga Zulmira Elisa Vono, somos despreparados para conviver com a pessoa idosa. Daí, a importância de sistemáticas campanhas de esclarecimento e ações objetivas do Estado. Hoje, o idoso não é o mesmo de outros tempos, quando ficava dentro de casa à mercê da própria sorte. Com os avanços da medicina, tornou-se um segmento economicamente ativo. Trata-se de um novo perfil.