LUZ NO PALANQUE

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Adicionar Tribuna de MinasAntes mesmo de se filiar ao Partido dos Trabalhadores ou exercer cargos nas instâncias de poder em Brasília, a presidente Dilma Rousseff, então um dos quadros mais qualificados do PDT, ocupou a Secretaria de Minas e Energia do governo Alceu Collares, no Rio Grande do Sul. Com essa experiência, chegou ao governo Lula, indo direto para o ministério semelhante para, só depois, assumir a poderosa Casa Civil da Presidência da República, sua última etapa até chegar ao topo da carreira. Com essa bagagem, desmentiu o Operador Nacional do Sistema Elétrico, ao dizer que raios não causam apagões, exigindo que o ONS buscasse outra causa para explicar a pane da última terça-feira, quando cerca de seis milhões de pessoas, em 13 estados, ficaram sem luz. A presidente suspeita de que as operadoras não estejam fazendo a manutenção adequada dos equipamentos.
Mas a questão não se esgota aí. O sistema brasileiro está operando em seu limite e, num cenário de estiagem, a situação se agrava. O ponto central é saber se os investimentos foram suficientes para garantir uma demanda sempre crescente de energia elétrica. A redução de tarifas no ano passado, imposta às operadoras, não estaria, agora, tendo seus reflexos, já que, em vez de aumentarem o fornecimento, elas tiveram que colocar o pé no freio? Certas benesses costumam ter efeito de curto prazo, e como dinheiro não aceita desaforo, uma hora o balanço tem que ser fechado.
A economia, pelos próprios números do Governo e os da oposição, será um dos principais temas dos palanques pré-outubro. A crise no setor elétrico, que se apresenta pelos sistemáticos apagões, sejam eles de curta ou longa duração, ganhará contornos de embate de programas, ao contrário do que se esperava, pois a expectativa, até mesmo por uma questão lógica, era de que a distribuição de energia, por conta da qualificação da presidente, jamais seria uma questão com tantos problemas.









