JOVENS DE HOJE
Em menos de 24 horas, a Tribuna noticiou a morte de dois jovens. Um, em Santos Dumont, vítima de um tiro disparado por um policial, que alegou ter sido acidental, e outro, em Juiz de Fora, espancado por um grupo, também de jovens, no Bairro Progresso. Mesmo que não se entre em detalhes, são duas vítimas no alvorecer da idade, consolidando as pesquisas que têm indicado uma incidência ascendente de homicídios na faixa de 15 a 29 anos. São dados perversos que precisam ser melhor discutidos, pois criam um cenário incômodo, não só por conta do perfil das vítimas, mas também pelas circunstâncias.Um homem de 28 anos, por exemplo, está internado após ter levado coronhadas no Bairro Poço Rico.
Não é possível fazer uma comparação de geração, por se tratar do homem e suas circunstâncias, mas é necessário saber o que está acontecendo em razão do elevado número de ocorrências envolvendo jovens e adolescentes. Não há um só dia em que não se registram fatos de tal monta pelo país afora. As noites de diversão se converteram em medo; a intolerância substituiu o diálogo, e o uso da força tornou-se rotina. A maioria, por razões fúteis. Os valentes se impõem em grupo e abrem a série de espancamentos, como foi possível registrar em dois dos casos citados acima.
Há quem aponte a falta de norte que marca a geração. O mercado de trabalho, mesmo com a generosidade dos dados econômicos, tornou-se mais competitivo, e nem todos, pois, conseguem o trabalho ideal. Mas há outros fatores. A família continua sendo fundamental, pois educação não só vem de berço, como também é preciso ter exemplos diários de boa convivência. Lares desestruturados, na maioria das vezes, produzem adultos com dificuldades de relacionamento, vendo no outro sempre um adversário. A busca de identidade nem sempre é feita pelo caminho da formação convencional, mas forjada pelo grupo. A velha discussão em torno de saúde, educação e emprego deve permanecer, mas é vital olhar além disso.










