AÇÃO CONTRA O CRACK


Por Tribuna

08/12/2011 às 07h00

O pacote de combate ao crack anunciado pela presidente Dilma Rousseff, no qual constam investimentos para a instituição de programas de tratamento dos dependentes, é a boa notícia deste fim de ano, sobretudo ante um cenário de crise internacional, com resvalo no Brasil, cujo PIB parou de crescer, e de outros problemas, como denúncias de toda ordem envolvendo agentes do Governo. O enfrentamento às drogas, antes apenas parte de programas de segurança, tornou-se uma prioridade de Estado tal o seu avanço sobre a população. Um relatório recente da Confederação Nacional dos Municípios indicou que 98% deles já convivem com o crack, algo inimaginável até bem pouco tempo. Como tem menor custo, seu alcance é maior, envolvendo populações de baixa renda.

Há vários esforços em curso. Em Minas, por exemplo, o governo estadual anunciou há uma semana um programa de clínicas que serão credenciadas para receber dependentes, cujas famílias terão também um benefício financeiro para assegurar o tratamento. A contrapartida são relatórios sistemáticos para garantir que o dinheiro está indo para o lugar certo.

A despeito de todos esses avanços, ainda há pontos a discutir. A repressão, considerada fundamental, enfrenta um problema crônico de financiamento. Já há projetos, ante a superpopulação dos cárceres, entendendo que pequenos traficantes devem ficar fora das celas. Um outro dado a discutir é a demanda. De nada adiantará prender o vendedor se o número de compradores continua em ascensão, uma vez que o uso já não é mais crime. Com isso, o tráfico faz apenas a reposição de seus agentes, já que o negócio continua em evolução.

O debate deve ser permanente, pois surgem fatos novos cotidianamente. A decisão da presidente Dilma é um avanço, pois dá margem a outras ações nas demais instâncias, a fim de combater uma droga que chegou para atender aos mais carentes e tornou-se, de repente, um flagelo que não mede mais classe social.