PASSO À FRENTE
A reforma política, que já entrou e saiu da pauta do Congresso por diversas vezes, deu um passo à frente com a conclusão dos trabalhos do grupo criado pelo próprio Legislativo. No texto encaminhado ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, o grupo sugere o fim da reeleição e mandato de quatro anos para todos os cargos, inclusive de senador, hoje estabelecido em oito anos. Henrique Alves vai criar, agora, uma comissão para atuar, com celeridade, segundo ele, a fim de colocar a matéria no plenário no primeiro semestre do ano que vem. Este prazo, porém, é controverso, já que deputados e senadores têm um ritmo próprio, que nem sempre acompanha os anseios das ruas.
O projeto, no entanto, não contemplou, como se esperava, um dos gargalos da discussão que se instalou nos últimos anos: o financiamento de campanha. Salvo algumas ações pontuais, ainda não se criou um mecanismo de financiamento capaz de impedir a ação de grupos sobre a vida parlamentar. Hoje, muitos políticos, deliberadamente, é fato, se tornam reféns de seus patrocinadores. Para muitos, o melhor caminho seria o financiamento público.
O fim da reeleição proposto pelo grupo de trabalho é um passo atrás, já que a experiência se mostrou positiva, por dar chance a quem trabalha direito a mais uma eleição. É fato que algumas correções precisam ser feitas para evitar o uso da máquina, mas tal uso ocorrerá a despeito do fim da reeleição. Um político sempre quer fazer o sucessor. Neste caso, então, o rolo compressor é o mesmo. O que é vital estabelecer são regras de equilíbrio entre quem está no posto e quem pretende ocupá-lo.











