CORDA ESTICADA


Por Tribuna

08/09/2013 às 07h00

Após a conversa com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a presidente Dilma Rousseff retornou ontem ao Brasil mais aliviada. Afinal, sua ida ao encontro do G-20, na Rússia, tinha um ponto fora da curva: as bisbilhotices dos americanos deixaram a brasileira e os brasileiros irritados. Afinal, tratou-se da invasão de privacidade da chefe de Estado. O teor, apesar das primeiras informações, inclusive da presidente, será desconhecido por um bom período, mas houve um primeiro passo. Nos próximos dias, a serem cumpridas as promessas do presidente americano, novos esforços serão feitos para reduzir a tensão. Ele garantiu que até quarta-feira irá explicar tudo o que ocorreu. Já em outubro, salvo contratempos, os dois estarão de novo frente a frente, numa visita oficial de Dilma a Washington, com direito a todas as deferências oficiais.

O ex-presidente Lula sugeriu à sucessora que desse um guenta em Obama, para mostrar a indignação nacional, mas é necessário a chefes de Estado uma serenidade que nem sempre se encontra nas ruas. Manter a corda esticada, que pode soar bem à opinião pública, costuma ser um contrassenso num cenário de tantos e mútuos interesses. Brasil e Estados Unidos são parceiros históricos, e o tráfego de negócios entre ambos não pode ficar comprometido por birras pessoais. De fato, é preciso explicar tudo ao Governo brasileiro, mas nada como cancelamento de viagem ou gesto mais brusco nas relações.

Num cenário de beligerância, todos perdem, inclusive os negócios que, em muitas ocasiões, dependem das articulações nacionais para irem adiante. Com a economia ainda instável, os países emergentes e o primeiro mundo têm que otimizar suas relações. Dadas as explicações, é necessário ir adiante, mostrando que o país também é grande na hora de discutir temas que não chegam a ser surpresa numa era de big brother. A forma e o alvo foram equivocados, mas a surpresa para por aí. Todo mundo olha todo mundo, e o Brasil tem, sim, que se preparar para também bisbilhotar a concorrência.