PASSO ATRÁS


Por Tribuna

08/02/2013 às 07h00

A declaração do presidente da Câmara dos deputados, Henrique Alves, desistindo de desafiar o Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão, quando alguns parlamentares foram condenados a perder o mandato, é um gesto de bom-senso, mas não dá garantias de que os demais membros do Legislativo vão engolir passivamente a sua decisão. O ex-presidente Marco Maia, com seu jeito hiperbólico de fazer política, chegou a admitir o confronto, quando disse estar disposto a abrigar os condenados dentro das instalações da Câmara. Falou, é certo, para o público interno, mas não deixa de ter voz entre os pares, sobretudo em situações em que outros deputados também correm o risco de ir a julgamento.

A bola, no entanto, está com o Supremo, responsável pelos acórdãos e pelo julgamento dos recursos, algo que deverá consumir mais este ano, até que a decisão definitiva seja publicada. E é aí que está o impasse, pois 2014 será ano eleitoral para renovação dos cargos da Câmara. Haverá clima para o enfrentamento com o STF, ou a resistência se dará em função da pressão dos partidos dispostos a não perder quadros importantes, como o deputado José Genoino, do PT? O tempo dirá, mas é preciso ficar atento para as próximas articulações.

Conta a favor do bom-senso a ampla agenda de outras questões que precisam ser discutidas pela atual legislatura, a começar pelo orçamento da União que ficou para depois do carnaval, desagradando o Planalto. No discurso de posse e sob aplausos, Henrique Alves se disse incomodado com o costumeiro guizo da presidente Dilma Rousseff, anunciando novos tempos para as relações entre Câmara e Planalto. O estilo da presidente tem incomodado bastante os parlamentares, mas os partidos, especialmente o PMDB, o fiel da balança, têm uma visão profissional da política. Este, da mesma forma que orientou seu líder a não comprar briga com o Judiciário, pode pedir calma na medição de força com o Executivo. Mas tudo vai depender do cenário político. E aí, tudo é possível, inclusive o nada.