CABO DE GUERRA


Por Tribuna

07/12/2014 às 07h00

O ano vai chegando ao fim, e a política continua em clima de beligerância não apenas em Brasília, onde se desenrolam as principais decisões, mas também em outras instâncias, nas quais a transição de governos cria tensões. Nos municípios, os enfrentamentos, que deveriam ficar restritos ao campo das ideias, ganham contornos de violência. Em Brasília, a semana foi pródiga com a votação da mudança de patamar do superávit, quando governistas e oposição se enfrentaram por horas a fio no Congresso Nacional. O Governo venceu, mas ainda não avaliou os custos, e a oposição se mostra mais ativa do que nos últimos anos. Os próximos eventos serão emblemáticos.

Em Belo Horizonte, o processo de transição se emperra por manobras políticas e administrativas que se sustentam num debate subliminar de 2018. Os tucanos, hoje no Governo, invertem a lógica: projetos que rejeitavam agora defendem, mesmo sabendo as dificuldades que a administração terá para cumpri-los. O PT, que antes cobrava, agora quer protelá-los até saber a dimensão dos custos nas contas do Estado. O cenário é de incerteza sobre os primeiros passos da próxima administração.

Na cidade, a eleição da presidência, que mais parecia um evento administrativo, pois desde o início já se sabia que o tucano Rodrigo Mattos iria vencer, tornou-se um enfrentamento, mais fora do plenário do que nas urnas, fruto da intolerância de “manifestantes” que foram além dos limites, sobretudo quando enveredaram-se pelo perigoso caminho da ameaça, como relataram vereadores de diversas tendências políticas.

O atual quadro indica a consolidação das instituições, mas é preocupante quando substitui o diálogo pela intransigência.