DEPOIS DAS URNAS


Por Tribuna

07/11/2014 às 07h00

Durante a campanha presidencial, uma das armas mais eficazes da equipe da presidente Dilma Rousseff foi desconstruir os adversários e apontar a diferença entre ela e os demais. Foi assim com Marina Silva, desidratada ainda no primeiro turno, e na reta final com Aécio Neves. Contra o senador, o discurso foi pelo passado tucano de cortar gastos para estabilizar a economia. A petista disse que faria diferente, pois não era essa a vocação de sua administração.

Depois das urnas, porém, as primeiras decisões oficiais apontam exatamente para o caminho inverso ou para aquele que ela condenava nos adversários. O Banco Central, nem tão independente assim, aumentou os juros, e, certamente, haverá medidas duras para assegurar a inflação em patamares confiáveis. Ontem, a Petrobras anunciou o aumento do preço da gasolina e do óleo diesel, e a própria presidente, em entrevistas a jornalistas, afirmou que serão tomadas medidas na contenção de gastos.

Não é pecado tomar tais decisões desde que elas tenham sido combinadas com a sociedade. Uma das causas do sucesso da reeleição da presidente foi exatamente indicar que não faria como os outros, garantindo que haveria correção de rumos sem perder a essência do que foi dito na campanha.

Por conta disso, o grande desafio da presidente Dilma, antes mesmo de começar o seu segundo mandato, será fazer os tais ajustes sem comprometer o pacto com as ruas. O problema, porém, é que não há fórmula mágica quando se trata de números. Resta, então, esperar o que virá pela frente.