CICLO DAS ÁGUAS
No último fim de semana, o juiz-forano foi surpreendido por uma tempestade que alagou bairros e elevou o nível das águas do Rio Paraibuna. É o ciclo das águas que bate o ponto, devendo continuar até a chegada das águas de março, fechando o verão. Não há, portanto, fato novo, salvo o gesto recorrente da população de ser vítima da intempérie. Entra e sai ano, por mais que tenham sido feitos esforços para minimizar os problemas, há sempre regiões críticas. A cidade está preparada para as chuvas deste ano? A indagação se escuda em outra: a cidade resolveu os problemas do início do ano e tomou providências para evitar a repetição?
Certamente, algumas ações foram realizadas, mas nem todas serão capazes de deixar a comunidade tranquila, sobretudo a das encostas, que faz apostas anuais sobre os danos que pode ter. Ainda há áreas de risco que precisam ser atendidas, assim como outras que dependem, inclusive, de investimentos do estado e da União para ter uma solução. Este, aliás, tem sido o desafio das administrações, pois, na maioria das vezes, as instâncias burocráticas não cumprem o que se espera delas na liberação de recursos, preferindo manter o timing próprio, que nem sempre é o mesmo de quem pede e, sobretudo, de quem precisa. O caso mais emblemático é o do Bairro Santa Tereza, que até hoje não teve uma solução definitiva para um problema que se arrasta há anos, a despeito da sua importância.
Outra situação recorrente tem a comunidade como protagonista: o uso do lixo. Uma das causas das inundações é o entupimento de esgotos por conta do material descartado de forma inadequada. A comunidade ainda não está convencida da importância de medidas preventivas. Por mais que se fale do recolhimento do lixo – precário em algumas regiões -, não faz sentido jogá-lo no rio, nos bueiros e nas ruas, porque, além da falta de educação ecológica, abre-se sempre a possibilidade de o problema voltar-se contra o autor. A prova material desse descontrole é vista sistematicamente no leito do Rio Paraibuna. Em tempos de chuvas, o cenário é de garrafas pet descendo na correnteza, quando deveriam ter sido jogadas em locais próprios. Na usina de Marmelos, ponto de retenção do material, o quadro é sempre de desolação, pois comprova o descaso da população para com o seu próprio meio.










