NOVA FRENTE


Por Tribuna

07/07/2013 às 07h00

As diversas experiências de combate ao tráfico de drogas demonstram que esse enfrentamento não se esgota nas instâncias policiais, uma vez que, em diversas regiões, a reincidência tem como gênesis o próprio ambiente. São áreas degradadas que se tornam espaço próprio para a venda e o uso, numa perversa rotina que a sociedade conhece como cracolândias. Juiz de Fora tem locais nessa situação que carecem de investimentos sociais, a fim de mudarem a realidade dos próprios habitantes, hoje submetidos a condições desumanas de habitação.

Na última quinta-feira, depois de uma empreitada na Rua José Inácio Trindade, no Vitorino Braga, região Sudeste, agentes da Polícia Civil efetuaram mais de uma dezena de prisões, mas constataram, como revelou o delegado Carlos Eduardo Rodrigues, titular da Delegacia Especializada Antidrogas, que a situação tinha um forte viés social. Casas em condições precárias serviam de espaço para o consumo, e o perfil dos usuários era de pleno abandono, indicando a necessidade de ser inseridos em programas desenvolvidos pelo município.

A observação do policial é pertinente, uma vez que, embora não tenha prerrogativa direta no combate à violência, as prefeituras podem atuar com programas sociais e investimentos como recuperação de espaços afetados com urbanização e instalação de projetos de atendimento às populações carentes. Desta forma, embora ainda não tenha recebido pedido de parceria, certamente a Municipalidade dirá sim, por se tratar de uma causa de interesse coletivo e que já ocorre em outras regiões da cidade.

Esta, no entanto, é apenas uma situação entre tantas outras que se mostram sob as mesmas perspectivas. Os programas de enfrentamento às drogas, ora desenvolvidos no município e em tantos outros, em parceria com o Estado e com a União, são estratégicos para uma luta permanente. As instâncias de Governo não podem recuar nesse combate, que não se faz única e exclusivamente pelo viés policial, mas também pela ótica da prevenção e do acolhimento daqueles que, em vez de atores, também são vítimas desse ciclo.