POR TRÁS DA CRISE
Quando se trata de política, não é possível fazer análises focadas somente em números, pois estes, na maioria das vezes, são apenas atalhos para a questão maior. O debate em torno do repasse de verbas para Pernambuco, mais do que para outros estados, graças à canetada do ministro Fernando Bezerra, foi pontuado em torno de dados técnicos, isto é, o Nordeste recebeu mais do que as regiões Sudeste e Sul, para enfrentar os danos das chuvas. Para tanto, foram feitas comparações de toda sorte para mostrar que a pasta da Integração Nacional é como uma biruta: move-se de acordo com o titular. Quando era Geddel Vieira Lima (PMDB), um dos cardeais da política baiana, foi sua terra a mais beneficiada. Com Bezerra de olho na prefeitura de Recife, o dinheiro andou um pouco mais para o norte.
O ponto central, no entanto, não é o privilégio das verbas, e sim os desdobramentos promovidos por tais benesses. Lideranças governistas, especialmente do Partido dos Trabalhadores e do PMDB, não escondem o desconforto com a mobilidade do governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, que tenta se colocar como um dos atores do próximo pleito presidencial, tendo o ministro da Integração como um de seus próceres. As duas principais legendas da base governista observam que o líder nordestino trafega fácil em outras instâncias, sendo amigo do tucano Aécio Neves e próximo do PDT. Em alguns casos, como no Paraná, quer distância do PT e, em Minas, aceita o PT como aliado, mas não abre mão de ter o PSDB no palanque do prefeito Márcio Lacerda, seu correligionário.
Por trás da crise, pois, está o processo eleitoral de 2014, que começa agora com a estratégia dos partidos de eleger o maior número de prefeitos. Para isso, porém, o jogo envolve interesses e articulações, mesmo diante de um cenário de tragédias, como agora. De um lado, o silêncio de eventuais aliados; de outro, a crítica de quem se sente alijado do processo. Em nome dos flagelados, porém, não se levanta nenhuma voz.










